sábado, 1 de abril de 2017

O BENFICA TEM DE LEVAR UM APERTO MITRAL

Na leitura dos blogs irmãos ( link ) e acerca da entrevista do Dr. Bacelar Gouveia ( link ) deparei com um comentário que, pela sua qualidade e abrangência, e porque não se limita a uma análise jurídica mas acrescenta aquilo que, no seu (e meu) entender, deveria ser feito pelo Sporting Clube de Portugal, passo a transcrever:

  Mário Túlio 
 
Estou plenamente de acordo com Bacelar Gouveia mas, vou mais longe.

O Direito Penal Desportivo não só não pode impôr uma ditadura sobre a Constituição da República como, sendo um ramo do Direito constituído por normas especiais, são nulas todas e quaisquer decisões de Conselhos Disciplinares que excedam a competência específica da norma, tal como o são quaisquer normas “penais” no âmbito desportivo que violem ou derroguem Disposições do Direito, traduzidas em Leis da República, Decretos-Leis, Decretos Regulamentares, Portarias e até Posturas Municipais. 


Falta às normas do Direito Desportivo força Jurídica para tal e âmbito de aplicação também. 

Nem Normas nem decisões dos tribunais arbitrais do Desporto ou, para o efeito que nos interessa aqui, Comissões existentes para a aplicação de Direito Desportivo podem exceder a finalidade para a qual foram criadas: – o âmbito específico do Desporto e nada mais. 

Mesmo no âmbito desportivo, comissões disciplinares e tribunais arbitrais NÃO CRIAM DIREITO, isto é Têm “0” (bola, como diz JJ) competência para fazer aplicações analógicas, para decidirem na generalidade e em abstracto. 

O quadro do Direito Penal, no âmbito muito concreto dos Princípios a que o Direito Penal tem de Obedecer, seja Direito Substantivo, seja Processual, condiciona inexoravelmente a aplicação do Direito Penal Desportivo ao respeito incondicional desses mesmos princípios.

Nenhum Tribunal Português da República pode fazer Julgamentos de carácter das Pessoas e serão NULAS quaisquer sentenças proferidas nessa base (cfr. Constituição). A Aplicação da Norma Penal presume:
a) Que a norma seja legítima (que não seja, no mínimo inconstitucional, Respeite as Normas Jurídicas Vigentes às quais, por falta de “Força Jurídica” haja de subordinar-se, que tenha respeitado todos os requisitos de validade substancial e formal, tais como forma de criação ou outros requisitos de natureza formal, tais como competência do órgão do qual emane, prazos de publicação e “vacatio Lege”, forma da publicação, etc.


Um Professor de Direito, por muito incompetente que o seja (e podem ter a certeza de os haver suficientemente incompetentes) não pode “desconhecer” estas questões mas, pode IGNORÁ-LAS, caso seja intelectualmente desonesto, esteja de má-fé e consequentemente actue com dolo. 

Não pode invocar nem, desconhecimento da LEI, como se sabe, “A ignorância quanto à Lei (vigente) não aproveita a ninguém” e muito menos “excepção à Lei” que seria o argumento de má-fé que um Professor poderia usar neste caso da decisão disciplinar contra Bruno de Carvalho porque, como ele não pode deixar de saber, nem normas especiais e muito menos as excepcionais podem ser aplicadas POR ANALOGIA a situações concretas e por outro lado não podem ser aplicadas no âmbito abstracto de um julgamento de carácter, qualquer coisa que, quer a Constituição não permite e muito menos o Direito Penal substantivo ou adjectivo (processual) permitem.

No âmbito disciplinar, seja ele o dos “processos Disciplinares no campo do Direito do Trabalho (Direito público especial) ou do Direito Desportivo (direito Público Especial, também) os órgãos disciplinares da empresas têm de elaborar o processo nos termos da Lei, designadamente, observando o princípio do contraditório sem que disponham de qualquer competência para rejeitar provas, nem que seja prova transmitida por sinais de fumo! Essa competência é reservada aos TRIBUNAIS.

Em segundo lugar, são obrigados processualmente a fazer acusações específicas e em decidir sobre cada uma delas e não na generalidade e só podem proferir condenação em relação a cada uma delas desde que CADA UMA DAS ACUSAÇÕES integre a previsão da norma disciplinar.


Que aconteceu no Processo contra Bruno de Carvalho?

Exactamente o contrário. O Processo é nulo e de nenhum efeito no âmbito disciplinar. Porquê?


1º Porque rejeitou a prestação de prova em clara violação do princípio do contraditório

2º Porque não enquadrou cada uma das acusações na norma penal desportiva competente ( Não fez porque não há norma do direito penal desportivo que preveja “ridículo” “insensato” ou que meramente reporte um facto confirmado pela própria FPF “incompetência” que, além disso não é um insulto é uma constatação de facto completamente inócua.


3º Porque proferiu uma sentença condenatória infundada nos factos e produziu um Julgamento de carácter à Tribunal da Santa Inquisição, decisões típicas dos tribunais dos regimes totalitários do Século XVI anteriores à Revolução Francesa e dos regimes totalitários como o que vigorou na União Soviética durante 70 anos.


Nem na Ditadura do Estado Novo um tribunal se poderia permitir fazer um julgamento de carácter a ninguém! Ou o culpado de delito de opinião se comportava em violação de uma norma do direito vigente ou a PIDE (que investigava e produzia prova para o MP) era mandada apanhar onde apanham as galinhas e os arguidos eram mandados em paz.

Depois dos argumentos jurídicos invocados de forma genérica por Bacelar Gouveia, estes mais concretos para os complementar.

QUE DEVE O SPORTING FAZER

1º Recorrer aos Tribunais Comuns para obter uma declaração de nulidade, quer da punição quer do próprio processo que lhe está subjacente, bem como de quaisquer processos subsequentes daquele dependente (o que é objectivamente desnecessário mas, conveniente, para os pôr logo em sentido).

2º Impugnar judicialmente, presumo que no Supremo Tribunal Administrativo, a constituição das comissões disciplinar e jurisdicional da FPF, apresentando prova da sua incompetência e da parcialidade revelada das decisões que toma, acusando-a de má-fé e de dolo.


3º Fazer uma queixa-crime contra os administradores da sad do benfica e directores e presidente do clube, pela prática do crime de tráfico de influências com intenção da recolha de vantagens ilegítimas e de causar prejuízos ao Sporting Clube de Portugal, ofensas à sua Honra e Dignidade bem como ofensas e prejuízos à Honra e Dignidade de seu Presidente, Bruno de Carvalho.


O benfica tem de levar um aperto mitral para deixar de cagar nos ovos de serpente que põe!

Concordo em absoluto.

O nosso clube não deveria limitar-se a reagir para se defender.

O nosso clube deveria contra atacar. E com tal intensidade que os deixasse atordoados por uns bons tempos.

Saudações Leoninas

sexta-feira, 31 de março de 2017

Bacelar Gouveia

 Depois da entrevista concedida ao DN onde produziu algumas afirmações que puderam ser interpretadas como criticas à direcção anterior e logo aproveitadas nos vários locais de culto do Estado Lampiónico, veio agora assumir claramente a defesa clara e inequívoca do seu e nosso SPORTING e do Presidente Bruno de Carvalho.

Tenho lido muitos artigos, quer de ataque quer de defesa de Bruno de Carvalho, mas em nenhum deles vi escrito o nome de Octávio Machado.

Na sua essência, os factos que levaram ao castigo de um e outro são os mesmos e tiveram a mesma origem: queixa do slb. E merecem o mesmo tratamento.

O meu obrigado a ti, também, Octávio Machado.


Ex-presidente do Conselho Fiscal do Sporting arrasa Conselho de Disciplina e Benfica. Em Bola Branca, Bacelar Gouveia é corrosivo: “Benfica tem vindo a dominar de forma escandalosa a opinião pública e chega aos órgãos da justiça desportiva”

Bacelar Gouveia, ex-presidente do Conselho Fiscal do Sporting, acredita que as recentes decisões do Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) contra Bruno de Carvalho têm “mão vermelha e bem vísivel”.
O constitucionalista é directo e claro nas insinuações que faz à interferência do Benfica nos órgãos da justiça desportiva, acusando o emblema da Luz, nesta matéria, de um domínio “escandaloso”.

“O Benfica tem vindo a dominar de forma escandalosa a opinião pública e chega aos órgãos da justiça desportiva. Percebe-se que há sempre uma mão, bem visível e vermelha que está a abusar do seu poder. Pode até fazer o seu jogo dentro das regras mas não pode utilizar vias ilegítimas para exercer o seu domínio”, dispara Bacelar Gouveia, em entrevista a Bola Branca, apontando a mira à “poderosíssima máquina de propaganda” do eterno rival da Segunda Circular.

Mas mais: mesmo sem envolver o nome do Benfica nesta premissa, Bacelar Gouveia traça um diagnóstico altamente negativo das cúpulas do poder no futebol português.

“As pessoas que estão no futebol e que querem fazer uma estratégia ilegítima não são amadoras. O futebol português, ao mais alto nível, está entregue a pessoas muito ardilosas, profissionais e com muita ‘manha’. Os órgãos que devem ser independentes, por vezes, podem sentir-se condicionados”, prossegue.

Conselho de Disciplina debaixo de fogo. “De juristas têm pouco”
 
As declarações do antigo dirigente leonino, que não integrou a lista de recandidatura do reconduzido presidente do Sporting, surgem dois dias depois do pesado castigo de 113 dias aplicado pelo CD da FPF a Bruno de Carvalho e poucas horas depois de o órgão presidido por José Manuel Meirim ter aberto novo processo disciplinar ao líder verde e branco, devido a violação das condições da suspensão a que está submetido.


Neste aspecto, Bacelar Gouveia é duro nas críticas dirigidas ao CD, recomendando até um reavivar de teoria básica de Direito aos dirigentes daquele órgão.

“Penso que há uma grande falta de bom senso e falta de cultura jurídica das pessoas que estão na justiça desportiva. De juristas têm pouco e estão a precisar um curso de reciclagem de Introdução ao Direito e do que é a Constituição e o respeito das liberdades fundamentais”, remata, rotulando de “manifestamente disparatadas, exageradas e desproporcionadas” as deliberações que visam a proibição de qualquer declaração pública da parte do presidente dos leões.

“Isso é limitar o direito à liberdade de expressão, que é algo de elementar. Admito que possa haver castigos do ponto de vista desportivo e algumas restrições mas nunca chegando a esse extremo. Essa decisão não tem qualquer adequação com o que se pretende com a medida. Se a medida é punir algo que o presidente do Sporting fez de errado, não é preciso chegar a este exagero”, aponta.

Recurso para os tribunais civis? “Justiça pode reparar violação grosseira da Constituição”
 
Ora, a propósito de alegadas limitações ao direito à liberdade de expressão, Bruno de Carvalho reagiu a toda a escala, já depois de ter ficado a saber que enfrenta novo processo disciplinar. O presidente do Sporting não admite que a sua acção verbal, enquanto dirigente, possa ser limitada, prometendo ir até às “últimas consequências” e, caso seja necessário, interpor recurso junto do Tribunal Europeu.


Bacelar Gouveia compreende a frustração de Bruno de Carvalho, aceita-a e, sobretudo, apoia-a, suportado na Constituição, recordando que as decisões da justiça desportiva, em casos devidamente comprovados, podem ser alvo de anulação por parte do poder judicial civil.

“A questão é saber se se trata de algo estritamente desportivo. Se se verificar que o que está em causa são os direitos fundamentais dos cidadãos, a justiça desportiva não pode nunca ficar imune ao poder judicial do Estado, que pode reparar uma violação grosseira da Constituição”, completa.

Saudações Leoninas

PILARES

Não poderia deixar de, aqui neste meu espaço, assinalar um excelente artigo que vem publicado na "A Tasca do Cherba"

Podem lê-lo aqui ou seguir este link


«Meus caros, não vos vou enganar outra vez com o título esta semana. Vou falar de Pilares. E de História, e de Arquitetura, e de Criação… E de Sporting, claro… mas vejam bem onde está o Sporting na crónica, e onde nela se pode entrever também o Rugby. Comecemos então.

Pilares de Hércules.

Estes pilares de Hércules, que nos dias de hoje sem mistérios chamamos de Estreito de Gibraltar, guardavam a saída do Mundo Antigo. Além destes pilares, ficavam a Atlântida, o Mistério, a Aventura, o Sonho. Ainda hoje cada um de nós tenta ultrapassar os seus pilares de Hércules, levando o Sonho e a Aventura para o Desconhecido. Assim se evolui, assim se vive.

Os Quatro Pilares de Salomão.

O Grande Rei Salomão, quando sonhou o Templo, mandou buscar Hiram Abiff, arquiteto do Templo, que preferiu morrer a revelar os seus segredos. Construiu esse Templo com quatro pilares, Conhecer, Ousar, Querer e Calar.
– O Conhecer, o obter o conhecimento, e o que praticar com ele;
– O Ousar, o atrever a ir mais além, o sonhar, o arriscar no desconhecido;
– O Querer, mesmo quando todos estão contra, o teimar em ter razão, o saber difícil a Empresa, mas mesmo assim não recusar o confronto;
– O Calar, calar o orgulho, observar a Obra feita, e apesar de ser imensa, saber que nada é para o Sonho. Calar fundo, no Coração o agradecimento, e não o revelar a ninguém.

Os Pilares da Criação.

Na nebulosa de Águia, erguem-se 3 pilares de poeiras cósmicas e moléculas frias de hidrogénio. Berço de Estrelas, são dos últimos que nos chegam ao nosso conhecimento, apesar de serem dos mais antigos…

Os Dois Pilares maçónicos.

Representam a entrada no Templo de Salomão, têm o nome de Boaz e Jaqim, são o Mestre e o Aprendiz, lado a lado. Ligam a Terra ao Céu, são lugar de Justiça e equidade.

Os Quatro Pilares Leoninos

Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

Mais que um lema, um motto, são verdadeiros Pilares para quem sente o Leão ao peito.
São o Esforço posto na Obra, apesar de sabê-la difícil, são a Dedicação dos dias e noites, em que apetecia não estar a fazer aquela Obra, seja por cansaço, ou fastio… mas a Obra tem que ser feita, a Dedicação ao Leão está sempre presente.
A Devoção, o olhar para a Obra, como algo místico, ou religiosos, ou transcendente, e o querermos sempre assim preservá-lo.
O nosso Leão é impoluto, é inquestionável, é Absoluto.
A Glória, talvez o mais efémero dos Pilares, é este o Pilar que adorna todos os outros, mas é o mais frágil e fugidio de todos. Não é o mais importante, de longe, mas o que motiva todos nós a seguir os anteriores Pilares para almejar a Glória.

Os Cinco Pilares do rugby.

 Integridade, Respeito, Solidariedade, Paixão, Disciplina.

Integridade: parte integral do jogo e deve ser aplicado dentro e fora do campo. É gerada através da honestidade e do fair-play;
Respeito: aos companheiros, aos adversários, à arbitragem e aos apoiantes, e a si próprio. Consciencializa para o equilíbrio que tem que haver entre o Eu e o Nós, em relação ao Outro.
Solidariedade: o Rugby fornece um espírito de corpo e unidade que produz grandes amizades, camaradagem, espírito de equipa e lealdade, e que ultrapassa as diferenças políticas, geográficas, culturais e religiosas;
Paixão: quem conhece o Rugby apaixona-se pela modalidade, e pelo sentir que a modalidade proporciona… muito mais que um desporto, é um modo de Vida.
Disciplina: parte integral do jogo e deve ser aplicado dentro e fora do campo.

Estes são os Pilares que nos formam. São os nossos pilares, a nossa coluna vertebral, o nosso Ser.
O sermos vertebrados não quer dizer só o ter vértebras. Quer dizer estarmos num estágio de evolução que nos permite fazer analogias entre a Coluna Vertebral e a Retidão, entre o ser Vertical e ser Íntegro.

É sabermos que alguém que não tem os polegares oponíveis, não quer dizer que não possa beber um copo de água, ou manusear um lápis, mas sim que esse alguém possui uma incapacidade intelectual de aceitar ou assimilar o que está escrito atrás.

Somos como somos, somos Nós, sofremos por assim sermos, mas nada mais podemos fazer que Ser.
Juntos.

 “Sic est voluntas Dei, somniis hominem, opus enim natus!”»

Saudações Leoninas

Cantico Negro

Porque tenho vindo a acompanhar esta saga do Presidente Bruno de Carvalho, vieram-me à memória dois poemas de dois enormes poetas portugueses que passo a transcrever.

http://www.citador.pt/images/autorid20720.jpg  José Régio

Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'

http://www.citador.pt/images/autorid00334.jpg   Fernando Pessoa

MAR PORTUGUÊS

Possessio Maris

I. O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!  



Estamos a menos de um mês de celebrar o 25 de Abril e continua a faltar "cumprir-se Portugal!"

Saudações Leoninas

quinta-feira, 30 de março de 2017

Pobre futebol, pobre país

O LADO NEGRO DO FUTEBOL PORTUGUÊS

«É difícil encontrar ângulos novos de observação e palavras de esperança. A indústria do futebol, porque é disso que se trata, é – como aqui escrevi há apenas uma semana – absolutamente esquizofrénica em Portugal. E somos sempre capazes de descer mais baixo ou, na melhor das piores hipóteses, de repetir situações bastante estúpidas que todos já vimos, muitos criticámos e, sobre as quais, quem de direito, lavou as mãos como Pilatos.

Não, não foi porque o Benfica o pediu – até porque o fez em causa própria e de maneira pouco decente – mas está mais do que na hora dos principais responsáveis a Federação e da Liga tomarem atitudes públicas e claras sobre as arbitragens, as claques, os castigos. Para citar alguns dos temas em cima da mesa.

Sabemos que Fernando Gomes, pela sua natureza, gosta mais de fazer do que de falar, mas o seu silêncio – até em nome da separação de poderes – está a abrir caminho para que a podridão se instale e alastre. Não pode ser. 

Vejamos os mais recentes e tristes episódios. O caso da ‘claque’ da Selecção no Estádio da Luz não é mais do que o aproveitamento clubístico do escudo de Portugal. É uma vergonha. Uma macacada em vários actos, e nunca saberemos onde está a verdade – ou seja quem provocou primeiro. Uns e outros são capazes de o fazer. Uma claque em pleno país escoltada pela polícia? Tenham dó. Dito isto não era necessário o comunicado da Federação para ter a certeza que não saiu da cabeça dos dirigentes federativos aquele inusitado carrossel, mas que terá que sair agora das suas cabeças a forma de travar no futuro ideia tão peregrina. O apoio à Selecção é tanto melhor se for genuíno.

Noutro plano os castigos ao presidente do Sporting e a Octávio Machado são uma indecência. Pela forma. Pela duração. São eles absolutamente inocentes? Não, não lhes dou esse beneplácito. Sublinho, ainda assim, que estamos – no caso de BdC no domínio da opinião, se há crime é de delito de opinião, algo que foi banido da ordem jurídica portuguesa em 1976. 

Agora o que sucedeu e da forma como sucedeu só descredibiliza as instituições e dá razão ao grito de revolta do presidente do Sporting. A Justiça em Portugal é, em geral, o que se sabe. No futebol é igual ou pior. Que tristeza. Está na hora de inverter o estado a que isto chegou.»
 
 
 Completamente de acordo com o texto de Nuno Santos o qual, pela isenção que vem revelando nos seus artigos, tem vindo a justificar o apreço que por ele sinto.
 
Saudações Leoninas

sábado, 11 de março de 2017

O Jornal da Queimada e João de Deus

Excerto da entrevista do jornal da Queimada a João de Deus:

...
Jornal da Queimada - Que tipo de relação tinha com o presidente. Há quem diga que não é uma pessoa fácil…

João de Deus - Tinha a melhor das relações com o meu presidente. Não tinha! Tenho! Continuo em contacto com ele. Foi sempre, sempre um apoio incondicional nos piores momentos, e nos melhores, que também tivemos, viveu-os com grande fervor. Da minha parte, o que tenho a dizer é que ganhou a minha estima e respeito, sempre me tratou muito bem. E digo o mesmo da estrutura que diariamente me relacionava, como Virgílio Lopes, Guilherme Pinheiro, Jorge Jesus, Octávio Machado, são pessoas que sempre me trataram muito bem e me deixaram sempre muito confortável no desempenho das minhas funções.

Alguém se admira com esta pergunta?

Saudações Leoninas

quarta-feira, 8 de março de 2017

SANTA IGNORÂNCIA


«Todas as manhãs a gazela acorda sabendo que tem que ser mais veloz que o leão ou será morta. Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deve correr mais rápido que a gazela ou morrerá de fome. Não importa se és um leão ou uma gazela: quando o sol desponta o melhor é começares a correr»
(Post  colocado por Daniel Podence no Instagram)


Reparem agora como o jornalista do Record  classifica a mensagem: "...uma 'enigmática' mensagem...".  
Por sua vez, o jornal a bola classifica-a como "uma mensagem enigmática, de difícil interpretação".

De facto, para mentes habituadas a procurar, em tudo o que diga respeito ao Sporting, motivos para lançar carvão na fornalha, escolheram um adjectivo que subentende um qualquer sintoma negativo. E, os da Queimada, ainda assumem a sua (deles) dificuldade de interpretação.

Como diria a minha saudosa avó, SANTA IGNORÂNCIA!!!.

Nada melhor que fornecer-lhes a melhor e sábia explicação fornecida pelo 
 no seu Com tal atitude este leão nunca morrerá de fome!..


"O popular adágio africano que Mia Couto celebrizou no seu romance "A confissão da leoa" e que pretenderá sublimar o poderoso instinto de sobrevivência do mundo animal, terá servido como uma luva a Daniel Podence para simbolizar a sua determinação de cumprir os seus sonhos e, nesse sentido, a sua firme disposição de continuar a correr sempre que o Sol despontar, sabendo que deverá correr mais rápido ainda e saltar por cima de todos os obstáculos que se interponham no seu caminho.
Com tal atitude este leão nunca morrerá de fome!..."
 
Saudações Leoninas